O TOTG é o teste oral de tolerância à glicose: mede a glicose no sangue antes e depois de uma bebida com glicose. No pedido, também pode aparecer como TTGO ou curva glicêmica.
No fluxo brasileiro, quem teve glicemia inicial abaixo de 92 mg/dL e não tem diabetes já diagnosticado costuma realizar o TOTG de 75 g entre 24 e 28 semanas. Há coletas em jejum, após uma hora e após duas horas. A equipe avalia situações que exigem outro caminho, inclusive alterações já encontradas no início do pré-natal.
Referência brasileira: SBD — rastreamento e diagnóstico
Este texto é apoio educativo. Não faz o papel do pré-natal nem do laboratório.
Para que o TOTG entra no cartão
Diabetes gestacional, no recorte do NHS, é glicose alta que aparece na gravidez e, na maior parte das pessoas, some depois do parto. O corpo precisa de mais insulina. Se a produção não acompanha, a glicose sobe.
O NHS lista o que isso pode trazer se não for acompanhado: bebê grande, líquido demais, parto antes de 37 semanas, pressão alta, glicose baixa ou icterícia no recém-nascido, e, em casos raros, perda do bebê. A SBD associa, no recém-nascido, hipoglicemia e hiperbilirrubinemia; na mãe, entre outros, infecção urinária e candidíase. Associação das fontes, não sentença. A maior parte das gestações com diabetes gestacional bem cuidado segue com bebê saudável, diz o NHS.
O rastreamento brasileiro não depende apenas de sintomas ou fatores de risco. Ter uma alimentação equilibrada ou não ter familiares com diabetes não dispensa conversar sobre o exame no pré-natal.
Muitos casos não provocam sintomas. Se aparecer sede intensa, mudança importante na quantidade de urina ou mal-estar, avise a equipe; não espere o exame agendado para contar.
Jejum da primeira consulta, TOTG no meio e o plano B
No Brasil o rastreamento não espera fator de risco. A diretriz da SBD, alinhada a FEBRASGO, OPAS e Ministério da Saúde, pede glicemia de jejum na primeira consulta, de preferência até 20 semanas.
A leitura que a SBD descreve:
abaixo de 92 mg/dL: segue o pré-natal e marca o TOTG entre 24 e 28 semanas
de 92 a 125 mg/dL: já entra no critério de diabetes gestacional e o acompanhamento começa, sem esperar o copo doce
126 mg/dL ou mais: a equipe trata como diabetes revelado na gravidez
Outros exames, como hemoglobina glicada e glicemia ao acaso, podem fazer parte da avaliação. Não troque o exame solicitado por outro nem interprete sozinho um resultado isolado.
Quando o TOTG não está disponível, o consenso brasileiro prevê um fluxo alternativo com glicemia de jejum. Ele identifica menos casos. Se houver dificuldade de acesso, peça à equipe um plano de rastreamento; não substitua as três coletas por decisão própria.
Se o pré-natal começa tarde, a SBD pede o TOTG com a maior brevidade possível. A Caderneta da Gestante tem campo para a primeira glicemia de jejum, para uma segunda, e para o TOTG de 75 g com os três tempos. Se a sua rede só libera jejum, a equipe explica o que aquele número cobre.
Antes de agendar: avise sobre cirurgia bariátrica
Se fez cirurgia bariátrica, informe antes de beber a solução. O teste oral pode causar mal-estar e ter limitações de interpretação; a equipe precisa definir uma alternativa adequada ao seu histórico.
Referência: East Kent Hospitals — restrições do teste oral após bariátrica
Como se preparar e o que levar
A SBD orienta jejum de oito horas e alimentação sem restrição de carboidratos nos três dias anteriores. Não tente “melhorar” o resultado cortando alimentos na véspera. Confirme as instruções do laboratório, inclusive sobre água e medicamentos.
A Cleveland Clinic descreve o mesmo tipo de preparo e lembra que água em goles costuma valer; confirme no laboratório. Café, suco e chá quebram o jejum. A Mayo Clinic pede avisar doença aguda e medicamento em uso. Não suspenda nada por conta própria.
Leve pedido, documento, caderneta se for o seu fluxo, água se o laboratório liberar, fone ou livro, um lanche para depois da última coleta. A Cleveland Clinic sugere ocupação porque não se sai no intervalo. Não coma no meio. Não fume. A SBD pede permanecer em repouso nas duas horas. Caminhada no corredor para “gastar o doce” distorce o teste.
A equipe faz a coleta em jejum, fornece a solução e orienta o tempo para bebê-la. Depois vêm as coletas de uma e duas horas. Reserve tempo também para cadastro e preparo. Se sentir enjoo, tontura ou outro mal-estar, avise imediatamente.
Se vomitar ou não conseguir beber toda a solução, informe na hora. A equipe decidirá sobre interrupção, remarcação ou alternativa; não tente completar a dose por conta própria.
Os três números, o laudo impresso e o critério da gravidez
A SBD, a FEBRASGO e o Ministério da Saúde usam o critério da IADPSG, o mesmo da OMS. No TOTG de 24 a 28 semanas, diabetes gestacional entra quando pelo menos um destes valores aparece:
jejum de 92 mg/dL ou mais, e abaixo de 126
1 hora de 180 mg/dL ou mais
2 horas de 153 mg/dL ou mais, e abaixo de 200
Um ponto que atinja o critério já importa; o tamanho da alteração e o conjunto dos resultados também orientam o cuidado. Jejum a partir de 126 mg/dL ou duas horas a partir de 200 mg/dL exigem avaliação para diabetes diagnosticado na gestação, uma classificação diferente.
Laboratórios às vezes imprimem, ao lado do seu número, a faixa de adulto não grávida. Essa faixa não é o critério IADPSG da gravidez. O laudo pode parecer “normal” no rodapé e ainda assim cruzar o corte da SBD — ou o contrário. Leve o papel na consulta. Quem lê os três tempos junto com a semana e o jejum do começo é quem te acompanha, não o asterisco da impressora.
Por que o exame do vídeo pode ser diferente
Há protocolos com 50 g para triagem e 100 g para investigação posterior. Eles não usam a mesma sequência nem os mesmos critérios do TOTG de 75 g. Compare o nome, a dose e os horários do seu pedido, não apenas a expressão “curva glicêmica”.
Se o resultado alterar, o que muda
Um resultado alterado precisa chegar à equipe para organizar o acompanhamento. Não significa automaticamente cesárea nem permite escolher tratamento apenas pelo número impresso.
Combinar como e quando medir a glicose, se indicado.
Receber orientação alimentar compatível com suas necessidades.
Definir atividade física adequada à gestação.
Avaliar necessidade de medicamento e aprender seu uso com a equipe.
Consultas, exames adicionais e planejamento do parto dependem da evolução. O cronograma de outro país ou de outra gestante não deve ser usado como sua prescrição.
Após o nascimento, a maternidade orienta alimentação e observação do bebê. Para você, combina o controle da glicose e o ajuste dos medicamentos. Não suspenda ou mantenha a dose da gravidez sem essa orientação.
Infecção urinária é outro capítulo. A SBD só lembra que hiperglicemia facilita infecção. Não troca urocultura por TOTG, nem o contrário.
Depois do parto e quem já teve diabetes gestacional
Antes da alta, peça o pedido e a data da reavaliação da glicose. O seguimento continua mesmo quando os valores melhoram: quem teve diabetes gestacional tem maior risco de diabetes no futuro. Avise esse histórico em consultas e antes de outra gravidez.
Sobre a continuidade do cuidado: NHS — diabetes gestacional após o parto
Checklist para levar ao laboratório e à consulta
Pedido com a carga de glicose e os horários de coleta.
Idade gestacional e resultado da glicemia do início do pré-natal.
Instruções confirmadas de jejum, água e medicamentos.
Aviso prévio de cirurgia bariátrica, doença recente ou dificuldade com o exame.
Laudo completo com unidades e todos os horários, para avaliação da equipe.
Fontes
Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz SBD, ed. 2026. https://diretriz.diabetes.org.br/rastreamento-e-diagnostico-da-hiperglicemia-na-gestacao/
Sociedade Brasileira de Diabetes. Esclarecimentos quanto à indicação e método para a realização do Teste de Tolerância à Glicose Oral (TTGO) na gestação. https://profissional.diabetes.org.br/esclarecimentos-quanto-a-indicacao-e-metodo-para-a-realizacao-do-teste-de-tolerancia-aglicose-oral-ttgo-na-gestacao/
Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde; FEBRASGO; Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília: OPAS, 2017. https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/biblioteca/rastreamento-e-diagnostico-de-diabetes-mellitus-gestacional-no-brasil-2016/
NHS. Gestational diabetes. https://www.nhs.uk/conditions/gestational-diabetes/
NHS. Gestational diabetes: treatment. https://www.nhs.uk/conditions/gestational-diabetes/treatment/
American College of Obstetricians and Gynecologists. Routine Tests During Pregnancy. https://www.acog.org/womens-health/faqs/routine-tests-during-pregnancy
Mayo Clinic. Glucose tolerance test. https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/glucose-tolerance-test/about/pac-20394296
Cleveland Clinic. Oral glucose tolerance test during pregnancy. https://my.clevelandclinic.org/health/diagnostics/9696-glucose-test-pregnancy
Caderneta da Gestante (campos de rastreamento de diabetes). https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/06/Caderneta-da-Gestante.pdf



